Conhecer a Endometriose
A endometriose é uma doença crónica que afeta mulheres sobretudo em idade reprodutiva. Estima-se que cerca de 10% de mulheres jovens globalmente (aproximadamente 190 milhões) sofrem de endometriose.
O que é a Endometriose?
Caracteriza-se pela presença de tecido endometrial fora do útero. Este tecido que reveste o útero e responde às hormonas femininas e transforma-se de forma a receber o embrião, ou caso não ocorra uma gravidez, a descamar sob a forma de menstruação.

O tecido fora do útero responde da mesma forma, registando-se ciclicamente crescimento e descamação (hemorragia) que levam à inflamação e fibrose e à formação de lesões de endometriose.

Onde pode surgir?
Estas lesões aparecem com mais frequência nos ovários, nas trompas, e também nos tecidos e órgãos que estão na proximidade do útero, como o intestino ou a bexiga. Mais raramente pode haver lesões de endometriose em zonas mais distantes do abdómen, como por exemplo no pulmão.

Quais são as causas?
As causas exatas da endometriose são ainda desconhecidas, mas sabe-se que é uma doença que é estimulada pelas hormonas femininas em que há um processo de inflamatório.
Quais são os sintomas?
Os sintomas que mais frequentemente se associam a esta doença são a dor pélvica incapacitante que assume diferentes formas: a dor cíclica incapacitante que coincide com a menstruação (dismenorreia), a dor com a relação sexual (dispareunia), e também a dor pélvica crónica não relacionada com a menstruação. Mais raramente pode haver dor com a defecação e ao urinar, e ainda mais raramente perda de sangue com a fezes e com a urina. A infertilidade também está associada a uma maior dificuldade em conseguir uma gravidez.

Próximos passos
Trata-se de uma condição com um importante impacto negativo na qualidade de vida das mulheres em que a um diagnóstico precoce e a necessidade de um tratamento individualizado por equipas multidisciplinares e dedicadas assumem uma particular importância.

Neste contexto, e porque para a SPG tem como missão principal a promoção da Saúde da Mulher, sendo Março o mês dedicado á endometriose, juntamo-nos aos múltiplos esforços para a consciencialização desta doença.
Testemunhos
A partilha da sua experiência é fundamental para desmistificar
e aumentar a visibilidade desta doença.
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Ana P.
Olá, sou a Ana, tenho 39 anos e em 2012 descobri que tinha endometriose profunda. Até à data nunca tinha ouvido falar, não sabia o que era e mal conseguia pronunciar a palavra. Desde então que sou seguida pelo Dr. José Reis e a sua equipa no Hospital Beatriz Ângelo.

No princípio foi uma mistura de sentimentos pois era jovem, queria engravidar e de um momento para o outro "apareceu este obstáculo" (que não tem cura!) e veio deitar por terra alguns sonhos. Pensei muitas vezes principalmente nos momentos mais difíceis "porquê eu?", mas felizmente tive sempre alguém do meu lado que à sua maneira me ajudou a suportar, lutar, superar e principalmente ter esperança que melhores dias viriam.

Em 2012 fiz 2 cirurgias e em 2016 fiz 3, uma delas uma ileostomia temporária da qual não estava à espera. Foi difícil de aceitar e fui ainda mais abaixo, pois sempre que criava alguma esperança de que finalmente as coisas estavam a melhorar havia/descobriam alguma coisa/problema que voltava a deitar-me abaixo. Durante este período continuava a tentar engravidar mas sem sucesso.

Então em 2017 entrei na lista de espera (de quase 1 ano) no Hospital Santa Aria no programa de apoio a fertilidade e em 2018 iniciei os tratamentos e fiz uma FIV com sucesso. Hoje tenho uma menina de 3 anos.

Continuo a fazer exames e consultas de rotina e neste momento a endometriose está controlada com medicação.
Helena L.
Chamo-me Helena e tenho actualmente 38 anos. Venho por este meio, contar-vos sucintamente um pouco da minha história com a endometriose.

Fiquei menstruada pela primeira vez com 13 anos. Só o primeiro mês é que foi normal. A partir daí, todos os santos meses eram dores insuportáveis, levando-me sempre a recorrer aos serviços de urgências. Diziam que eram dores normais da menstruação e que iriam passar com a idade. Mas isso nao acontecia. Recorri durante muitos anos a vários especialistas que diziam sempre o mesmo. Todos os meses perdia qualidade de vida quando ficava mestruada. Até que com 24 anos comecei a tentar engravidar e tal nao acontecia. Fiquei sem chão, completamente desmotivada. As tentativas continuaram, mas sem êxito.

Um dia normal, uma pessoa falou-me numa médica no hospital de São João, que era excelente e possivelmente poderia descobrir o que se passava comigo. Recorri a esse centro hospitalar, onde durante tantos anos, me disseram que as dores passariam com a idade, e aí descobri que tinha endometriose.

Foi me dada toda a explicação dessa maldita doença que desconhecia, e que possivelmente era a razão de não conseguir ser mãe. Decidiram que tinha que ser operada, para que desta "forma" deixar de ter dores e possivelmente ser mãe. Não foi uma operação fácil, acreditem. Mas isto porque outros órgãos além dos ovários, já estavam afectados. Fui operada em dois meses, duas vezes. Mas graças a Deus que depois de tanto suplício, as dores desapareceram.

Depois de tanta tortura, efectuei 3 tratamentos para engravidar, mas infelizmente todos sem êxito. Não havia causa aparente. Estava tudo bem comigo. O mundo voltou a cair aos meus pés, acreditem. Tive que recorrer a tratamentos psicológicos, tentei adopção, até que um dia. disse basta. Não quero ser uma pessoa que está a desperdiçar a vida só porque não é mãe. Custou imenso, horrores, mas esqueci totalmente o assunto.

Aos 31 anos, foi a melhor surpresa que tive. Sem fazer nem tomar algo, engravidei. Por isso só quero transmitir toda a minha força, para não desistirem. Não é essa doença que vos vai pôr travão na vida. Tenham fé e muita força que como eu superei essa horrível doença, também consegui ser mãe 🙏🙏 vocês também vão superar 🙏🙏
Daniela B.
Para mim a endometriose durante anos significou dores, dores incapacitantes que me impediam de fazer a minha vida normal. Estas dores levavam-me a ficar entre 2 a 3 dias de cama mês após mês, com várias idas às urgências, sem qualquer perspetiva de melhoria para esta situação clínica.

Para chegar ao diagnóstico correto, demorou vários anos, com diferentes profissionais de saúde, em que as dores eram consideradas “normais”. A dor não é normal.

Em 2015 comecei a tomar a Dienogeste, que é um fármaco utilizado para o tratamento da endometriose e em combinação com outras substâncias como um contraceptivo oral, melhorou a minha vida significativamente, posso dizer que estes últimos anos tive apenas duas crises de dores.

Sei que existem outros tipos de tratamentos, dependendo de cada situação clínica e acredito e espero que a partilha de informação entre doente e médico e também a evolução da ciência, pode tornar mais fácil de detectar/diagnosticar a doença e melhorar a qualidade de vida da doente.
Andreia J.
Deixei a pílula com 23 anos e comecei a ter imensas dores, buscopan/brufen/benuron não tinham qualquer efeito. Essas dores duravam cerca de 4/5 horas, não conseguia estar de pé nem trabalhar. Sempre que ia ao médico ou à farmácia o discurso era o mesmo: "tome a pílula, se não, aguente as dores, a escolha é sua."

Com cerca de 29 anos fiquei pior, fui ao médico de família (ao qual já me tinha queixado várias vezes anteriormente) e disse que a dor demorava mais horas a passar, tinha mais fluxo, comecei a ter dores durante a ovulação, e tinha dores no ovário esquerdo, como se fosse um bisturi a cortar-me por dentro. Fora todos os problemas intestinais (no meu caso diarreia quase todos os dias e cólicas intensas), um aumento de 10kg. E outra vez o mesmo discurso da pílula. Nem um exame ginecológico ou encaminhamento para consulta de ginecologia, nem medicação forte para as dores. Apenas me fazia sentir uma alienada por não querer tomar a pílula.

Com 33 anos comecei a ter dores durante as relações sexuais, muitas infeções urinárias (algumas falsas), infeções vaginais, dores nos rins, bexiga, e um mal estar na zona pélvica diário, entre outros sintomas. Decidi ir a uma ginecologista privada que me disse que tinha um endometrioma no ovário esquerdo e por isso endometriose, mas que não sabia onde, receitou-me Dianogest. Não me explicou o que era, apenas me deu um folheto sobre endometriose.

Contactei a MulherEndo, comecei a ser seguida por um especialista em endometriose, que logo na primeira consulta, através de toque vaginal e rectal detetou endometriose profunda, pediu uma ressonância magnética que veio confirmar a severidade da doença, e neste momento encontro-me à espera da cirurgia.

Obrigada, MulherEndo, foram a minha salvação!
Vânia C.
Partilho convosco um pouco do meu testemunho.

Fui menstruada muito nova aos 11 anos, as menstruações eram sempre acompanhadas de dor e de muito fluxo. Aos 15 anos iniciei a toma da pílula, receitada pela Ginecologista, de modo a controlar a situação, o que ajudou pouco.

Entretanto os anos foram passando de médico em médico e a sintomatologia a agravar-se, passando por cerca de oito médicos, a maioria com poucas respostas, sendo que a minha doença manifestou-se de forma visível no umbigo, e ninguém sabia o que era.

A doença provocou-me infertilidade estando durante 7 anos em tratamentos de fertilidade, com resultado feliz, tive um casal de gémeos, apesar dos tratamentos serem complicados e desafiantes levando-nos a extremos.

Em relação a cirurgias foram cinco, tendo sido a última em maio de 2021, no Hospital de Santa Maria, Lisboa, onde sou seguida na consulta de ginecologia. Nesta última cirurgia “retirei várias peças” que estavam “estragadas”. Hoje posso dizer que recuperei qualidade de vida de forma significativa, coisa que já não sabia o que era.

A Endometriose roubou-me muitas alegrias, vivências e fez-me adiar sonhos e realizações.
Jéssica B.
Sou a Jessica e tenho endometriose.

Em 2019, após uma ida às urgências na qual ia ser operada a uma apendicite, descobriram que, afinal o que tinha era endometriose.

Após anos sem conseguir trabalhar, sem conseguir estudar pois as dores na menstruação eram tantas, tive a resposta a todo o tormento. Pois, afinal, nem tudo é “normal” como tantas vezes ouvi, como não eram normais as dores incapacitantes.

Agora, com 24 anos, e a fazer pílula continua, continuo em observação, pois como dizem, a minha doença foi “detetada a tempo”. Nenhuma mulher deveria viver com a incerteza do dia de amanhã, pois o “amanhã”, numa ida a uma consulta o prognóstico pode ser outro…

Só tenho que agradecer por todas as vossas partilhas!

Este é o meu testemunho, obrigada ☺️
Anónimo
Tenho 38 anos, tenho adenomiose e suspeita de endometriose.

Quando tive as minhas primeiras menstruações, aos 14 anos, vomitava, ficava de cama e não me conseguia mexer, a minha ginecologista da altura, e infelizmente de muitos anos, receitou-me contraceção hormonal e disse que era tudo normal.

Com a toma da pilula deixei de ter dores mas também deixei de sentir libido, o que me roubou de certo modo da minha adolescência, outra consequência foram os estados depressivos que me levaram a duvidar de mim, do meu valor e vontade de viver.

Aos 21 deixei a pilula, comecei a aceitar a depressão, senti libido pela primeira vez e as dores voltaram, dores fortes, dores que deixavam incapacitada e muito fluxo.
Mais tarde andei numa troca de ginecologistas, a maioria tratou-me muito mal e insistiram sempre em receitar-me tratamentos hormonais diferentes que voltavam a fazer com que o meu estado depressivo deteriorasse e ficava também sem líbido.

Aos 33/34 fui finalmente diagnosticada por um ginecologista que me fez muita pressão para congelar os meus óvulos, apesar de não ser o meu desejo.
Fui pedir uma segunda opinião dentro do mesmo hospital, o médico pediu-me uma ressonância que confirmou adenomiose e suspeita de endometriose, no entanto só queria proceder com uma cirurgia, sem me dar opção de uma escolha informada, não me informou que a cirurgia não cura.

Fiquei mais 2 anos sem ir ao médico, li muito sobre o assunto, fiz escolhas informadas, comecei a fazer fisioterapia pélvica, acupuntura e dieta, os sintomas melhoram e ganhei coragem para pedir mais uma opinião. Fui a mais uma especialista em endometriose, que me fez repetir os exames, disse que eu inventava sintomas e que era tola por não tomar a pilula. Expliquei que a escolha entre depressão, falta de líbido e dor a dor física era mais fácil de gerir e aceitar, devo referir aqui que ao longo do anos tentai várias opções hormonais sempre com o mesmo efeito. A médica insultou-me disse que eu era louca e que precisava de um psiquiatra.

24 anos depois estou com o ginecologista da minha mãe, tem uma visão antiquada da endometriose a adenomiose, é da opinião que ter filhos ajudaria, mas respeita a minha decisão, respeita que eu não tome a pilula e sabe que só deverei ser operada num caso mais extremo, até porque a cirurgia não cura a endometriose.
Sei viver com dor, prefiro a viver sem sentir, a viver com depressão, sem desejo, sem sexo. Faço terapia, já falei com uma psiquiatra e desde que deixei de fazer tratamento hormonais deixei de ter depressão. São 24 a ser mal tratada e insultada por médicos, a sensibilização tem de ser junto à classe médica, as escolhas têm de ser informadas e uma paciente menos grave não deixa de ser uma paciente.

É cansativo que ninguém acredite em nós, é cansativo ser chamada de maluca, é cansativo querem sempre operar-nos como para justificar o propósito do médico e não do doente, é cansativa a justificação constante, é cansativo a paciente nunca vir primeiro.
Marlisa T.
Mais ou menos há 4 anos atrás comecei a ter os primeiros sintomas, sintomas esses como por exemplo, no ato sexual ter algumas dores e desconforto ou mesmo depois ficar inchada e com desconforto.

Recorri ao médico de família onde fiz algumas ecografias vaginais mas tudo indicava que estava tudo bem, os sintomas continuaram. Passados dois anos dos primeiros sintomas comecei a ter sangue nas fezes e voltei a recorrer ao médico de família que me mandou fazer uma colonoscopia.

A primeira não foi realizada com sucesso pela descoberta de uma encurvação intestinal e, fui então, encaminhada para o Hospital São João, para o Serviço de Ginecologia onde fui atendida pela Dª Margarida Martinho que me mandou fazer alguns exames, como ecografia vaginal, colonoscopia, ressonância pélvica onde se confirmou que realmente se tratava de uma doença chamada endometriose.

Fizemos medicação para a doença, mas os sintomas continuavam e por isso tive que recorrer a uma cirurgia para tentar ter uma qualidade de vida melhor. Essa cirurgia essa foi realizada no dia 08/02/2022 através de uma videolaparoscopia. Retirámos células endometriais à volta do útero, fizemos também uma “raspagem” ao intestino e tiveram que cortar 2 cm de bexiga.

Após a cirurgia não tive dores nenhumas, apenas coloquei a algália durante 14 dias para uma melhor cicatrização da bexiga e tive alguns enjoos devido à anestesia. Nos primeiros dias estive apenas a soro (Dieta zero), ao fim do quarto dia comecei a tomar chá e depois sopa branca, apesar de ser difícil uma troca de alimentação, reagi bem. Devido a “raspagem” do intestino vamos progredindo na dieta, é como aprender novamente a comer.

Em suma, vim aqui escrever este texto porque sofri bastante com a doença que passa muitas vezes despercebida, sendo que, muitas mulheres também o podem ter e não saber. Espero então ter contribuído de uma forma positiva com a minha história para ajudar todas as mulheres que também podem ter, mas ainda não descobriram que estão na mesma situação que eu.

Quero também fazer um agradecimento especial ao Serviço de Ginecologia do Hospital São João, às enfermeiras, auxiliares e toda a equipa que me acompanhou no bloco, especialmente a Dª Margarida Martinho que me acompanhou desde o início.
Helena Isabel B.
Chamo-me Helena Isabel e tenho atualmente 38 anos. Venho por este meio, contar-vos sucintamente um pouco da minha história com a endometriose.

Fiquei menstruada pela primeira vez com 13 anos. Só o primeiro mês é que foi normal. A partir daí, todos os Santos meses eram dores insuportáveis, levando-me sempre a recorrer aos serviços de urgências. Diziam que eram dores normais da menstruação e que iriam passar com a idade. Mas isso não acontecia.

Recorri durante muitos anos, a vários especialistas, dizendo sempre o mesmo. Todos os meses perdia qualidade de vida quando ficava menstruada. Até que com 24 anos comecei a tentar engravidar e tal não acontecia. Fiquei sem chão, completamente desmotivada. As tentativas continuaram, mas sem êxito.

Um dia normal, uma pessoa falou-me numa médica no hospital de São João que era excelente e possivelmente poderia descobrir o que se passava comigo. Recorri a esse centro hospitalar, e aí descobri que tinha endometriose. Foi me dada toda a explicação dessa maldita doença que desconhecia e que essa também era uma possível razão para não conseguir ser mãe.

Decidiram que tinha que ser operada, para desta "forma", deixar de ter dores e possivelmente ser mãe. Não foi uma operação fácil, acreditem. Mas isto porque outros órgãos além dos ovários, já estavam afetados.

Fui operada em dois meses, duas vezes. Mas graças a deus que depois tanto suplício, as dores desapareceram. Depois de tanta tortura, efetuei 3 tratamentos para engravidar, mas infelizmente todos sem êxito. Não havia causa aparente. Estava tudo bem comigo. O mundo voltou a cair aos meus pés, acreditem. Tive que recorrer a tratamentos psicológicos, tentei adoção, até que um dia disse basta. Não quero ser uma pessoa que está a desperdiçar a vida só porque não é mãe.

Custou imenso, horrores, mas esqueci totalmente o assunto. Aos 31 anos, foi a melhor surpresa que tive. Sem fazer nada nem tomar algo, engravidei.

Por isso, só quero transmitir toda a minha força para não desistirem. Não é essa doença que vos vai pôr travão na vida. Tenham fé e muita força que, como eu superei essa horrível doença, também consegui ser mãe e vocês também vão superar .
Anabela
Chamo-me Anabela, tenho 39 anos e tenho endometriose profunda.

A minha primeira menstruação foi por volta dos 11 anos e era bastante abundante. Aos 24 anos a menstruação começou a surgir acompanhada sempre de dores muito fortes a nível pélvico (barriga super inchada com cólicas fortes), dores lombares, dificuldade em evacuar acompanhada de dores fortes, dificuldade em andar, sentar. A única posição que parecia trazer breves momentos de algum alívio embora pouco era deitada na posição fetal.

Nesta altura por iniciativa própria comecei a tomar brufen 600 numa tentativa de eliminar por completo as dores, mas só conseguia se iniciasse a medicação dois dias antes de surgir a menstruação e tomava sempre vários comprimidos por dia para que as dores não surgissem.
Numa das consultas com a minha ginecologista dessa altura, falei-lhe dos meus sintomas e ela disse-me que poderia ser endometriose mas que não havia meio de confirmar o diagnóstico. Aconselhou-me a tomar a pílula contínua Cerazette para não menstruar e assim não ter dores. Durante mais ou menos dez anos foi o que eu fiz, estava tranquila pois já não tinha menstruação e consequentemente não tinha dores.

Por volta dos 34 anos comecei a pensar em engravidar, deixando assim de tomar a pílula contínua, mas o “massacre” voltou, pois, as dores menstruais voltaram e mais fortes que nunca.

Nesta altura decidi procurar a Dra. Margarida Martinho (especialista em endometriose). Ela prescreveu-me uma ultrassonografia transendoscópica rectal e confirmou-se a minha endometriose profunda. Tinha ¼ da circunferência retal obstruída com um nódulo (endometrioma) e corria o risco de fazer uma estenose retal. Aconselhou-me a fazer uma cirurgia por laparoscopia para remoção de todos os endometriomas incluindo o retal, para depois tentar engravidar.

Fui operada em junho de 2019, a cirurgia correu muito bem, graças ao profissionalismo extremo da Dra. Margarida Martinho que lhe serei eternamente grata pelo seu empenho e atenção para comigo. A recuperação foi bastante dolorosa.

Passados três meses consegui engravidar espontaneamente, mas às sete semanas tive uma gravidez não evolutiva. Após um ano de tentativas falhadas em conseguir engravidar novamente, fui encaminhada para o serviço de reprodução médica assistida do Hospital de S. João. Efetuei vários tratamentos como indução de ovulação, inseminação artificial mas nenhum com sucesso. Neste momento tenho 39 anos e encontro-me em lista de espera para fazer uma fertilização in vitro.

Aconselho todas as mulheres que tenham dores, que procurem um diagnóstico e consequentemente um tratamento o mais cedo possível.
Andreia C.
Tinha 14 anos, quando tive a primeira menstruação, eram períodos dolorosos, chegava às estações mais quentes e tudo piorava, ainda mais. Decidi então ir à ginecologista, na esperança de regular os ciclos e de ao tomar a pílula as dores desaparecerem. Nada aconteceu.

Aos 20 anos, tive a primeira relação sexual, e foi aí que vi as dores piorarem, era só dor, sem prazer. Recorri a outra ginecologista, ouvi de tudo: falta de lubrificação, ter que variar as posições, ver se fisicamente estava tudo bem, e "a Andreia deve ser muito ansiosa e nem aproveita o momento, não vejo justificação para essas queixas."

10 anos se passaram, entre ginecologistas, médicos de família e várias mudanças de pílulas. Até que em 2021, comecei a ser seguida no Centro Hospitalar Universitário de São João – Porto, pela Dra. Margarida Martinho, que me ouviu, investigou, e me deu o tão esperado diagnóstico: ENDOMETRIOSE.

Podem me achar estranha, mas fiquei feliz, afinal não eram coisas da minha cabeça. Tenho receios, inseguranças, tenho dias menos bons e outros péssimos, mas pelo menos sei que alguém me ouviu e está lá para me apoiar no futuro.

Não desistam, vão à luta, sempre.
Anabela
Anabela, 34 anos.

Fui diagnosticada com endometriose profunda em 2019.

Na minha adolescência, sempre tive uma menstruação “santa”, sempre certinha e sem dor.

Por volta dos 24 anos, começaram os episódios de dor, foram longos 7 anos, até chegar ao diagnóstico, mas eu não achava normal ter tantas dores. Vivi durante todos esses anos diariamente com dor, por vezes tão incapacitante que não conseguia fazer as coisas mais básicas do dia a dia, sempre que menstruava ia SEMPRE parar às urgências.

Muitas vezes achava que estava maluca e que se calhar ter dor era normal. Em 2019 chegámos ao diagnóstico (lesão recto vaginal). Apesar do choque da notícia, pelo menos já haviam certezas do problema e o importante agora era “resolver”.

Nesse mesmo ano, fui submetida a cirurgia para remoção das lesões, correu muito bem e a minha qualidade de vida melhorou 200%. Em 2022 fui novamente submetida a cirurgia que correu igualmente bem e não tenho dúvidas que vai melhorar a minha condição.

Apesar de todo o mal que a doença me provoca (afetou-me a nível emocional, sexual, profissional e social), aprendi a escutar os sinais que o meu corpo que estava a dar e eu ignorava. Reeduquei-me a nível alimentar e físico, aceitei e aprendi a viver com ela. Cuidei e valorizei ainda mais a minha saúde mental que também foi muito afetada.

Um obrigado especial à Dra. Margarida Martinho e toda a sua equipa, que me seguem e foram sempre espetaculares em todo o processo.

A todas as mulheres Endo: Um dia isto vai passar!
Flávia O.
Flávia O. , 45 anos.

17 anos para um diagnóstico feito na primeira laparotomia.

Muitos anos de sofrimento onde os exames estavam normais, mas as dores incapacitantes teimavam em não desaparecer. Desmaios, internamentos, desconforto ao urinar, alterações intestinais e tratamentos de reprodução medicamente assistida.

Passagem por três médicos até ao diagnóstico, realização de duas laparotomias e uma laparoscopia.

Como consequência da Endometriose e Adenomiose, a Infertilidade, o desconforto abdominal e da bexiga para além de ter de tomar a pílula contínua.
Carmo V.
Olá, o meu nome é Carmo V. , sou de Barcelos.  Desde nova eu tinha muitas dores com o período. Diagnóstico, "é normal". Fui camuflado com uma pílula.

Em 2013 comecei a ter uma dor no meio da barriga e dores nas relações sexuais. Andei anos a fazer exames que não mostravam nada, ia ao ginecologista e diziam que não tinha nada. Em 2015, por causa da dor da barriga descobri que tinha cancro na mama. Nos exames de rotina em 2019 apareceu endometriose. A dor já era na barriga toda e relações sexuais nem pensar. Mas finalmente tinha um nome, uma justificação para as dores. Contudo, ajuda de ginecologistas nunca tive nenhuma! Até que desisti de lutar porque não suportava tanta dor.

Em Janeiro de 2021 vi a entrevista da Dra. Susana da MulherEndo na TVI e entrei em contacto com ela. Um anjinho na terra! Ela ajudou-me e fui operada em Maio de 2021 pelo anjinho Dr. Helder Fonseca. Tirei tudo, fiquei com um ovário.
Sandra
O meu nome é Sandra, de há uns anos a esta parte tinha alguns sintomas da endometriose, mas como tomava pílula e tinha fibromialgia, estavam todos mascarados.

Em 2020, depois de muito insistir com o meu médico de família, ele encaminhou-me para uma consulta de ginecologia. Em fevereiro de 2021 chegou o diagnóstico, contudo a GO que me observou disse que a melhor solução seria a toma de pílula continua e que não seria mãe, porque estava com 39 anos e uns meses.

Pedi segunda opinião, e fui encaminhada para cirurgia. Fiz laparoscopia com o Dr Hélder Ferreira que foi o meu anjo da guarda. Ainda estou em recuperação, mas sei que terei o meu bebé em breve.

Faz tanta falta no sns médicos que percebam da doença e encaminhem o quando antes para cirurgia, de forma a resolver.
Telma P.
Sou a Telma e fui diagnosticada com endometriose em 2017 com 34 anos.

Menarca aos 12 anos, sempre tive algumas dores durante a menstruação, mas foi numa das minhas consultas de rotina com o meu ginecologista que me foi descoberta uma massa no ovário esquerdo, do qual não conseguiu identificar.

Mandou me fazer um TAC com diagnóstico de Cistadenoma. Fui encaminhada para o IPO de Lisboa. Muito chorei nesse dia!

Depois da consulta e ressonância, foi-me dado o diagnóstico: endometriose profunda (quisto no ovário esquerdo, no septo retovaginal e lise de aderências). Fui encaminhada para o Hospital de Santa Maria em agosto de 2017. Comecei logo a fazer pilula contínua e em Janeiro de 2018, fiz laparoscopia e felizmente a minha vida melhorou muito, deixei de ter dor.

Agora a minha luta é tentar engravidar. Já tive um aborto retido com 9 semanas e ando em tratamentos de PMA com endometriose e adenomiose.
Sara Q.
Bom dia. Envio o meu testemunho:

Sou a Sara e tenho endometriose.

Em 2020 depois de uma ida às urgências com uma dor terrível descobri que tenho endometriose. Procurei ajuda e descobri o Dr. Hélder Ferreira que me ajudou imenso. Fui operada em maio de 2021 depois de meses em sofrimento atroz. Foram-me retirados tumores no septo reto-vaginal e bexiga.

Com cuidado na alimentação, sem glúten e sem alimentos processados estou a melhorar imenso a minha qualidade de vida.

A positividade é a melhor forma de encarar esta doença
Telma F.
"Tem endometriose profunda com repuxamento do recto”: foi esta a frase da Dr.ª Sofia, dias antes do Natal de 2016, depois de um internamento de 5 dias no HBA.

Este foi o diagnóstico que explicava 14 anos de dores indescritíveis, hemorragias, infeções urinárias e de tantos outros sintomas que até então nenhum médico me tinha conseguido explicar. “Vou marcar-lhe uma consulta com o melhor especialista do hospital e vai tudo ficar bem” - disse-me ela.

Em Janeiro de 2017 tive a primeira consulta com o Dr. José Reis que, com toda a dedicação, me ouviu, explicou a doença, esclareceu todas as dúvidas e me disse que, no ponto em que a doença estava, seria difícil conseguir engravidar sem cirurgia.

Depois de vários exames, em Julho do mesmo ano fui submetida a uma cirurgia laparoscópica que, em conjunto com algum exercício físico e pequenos ajustes na minha alimentação, mudou a minha vida para muito melhor.

Em Janeiro de 2018 aconteceu a tão desejada gravidez, de forma natural. O caminho foi difícil, mas um dia gostava de reencontrar a Dr.ª Sofia e de lhe dizer que, com o acompanhamento permanente do Dr. José Reis, correu mesmo tudo bem e que em Setembro de 2018 se realizou um sonho chamado Gonçalo!
Ana
Olá, eu sou a Ana tenho 39 anos e em 2012 descobri que tinha endometriose profunda.

Até à data nunca tinha ouvido falar, não sabia o que era e mal conseguia pronunciar a palavra. Desde então que sou seguida pelo Dr. José Reis e a sua equipa no Hospital Beatriz Ângelo.

Ao princípio foi uma mistura de sentimentos pois era jovem, queria engravidar e de um momento para o outro "apareceu este obstáculo" (que não tem cura!) e veio deitar por terra alguns sonhos. Pensei muitas vezes principalmente nos momentos mais difíceis "porquê eu?", mas felizmente tive sempre alguém do meu lado que à sua maneira ajudou a suportar, lutar, superar e principalmente ter esperança de que melhores dias viriam.

Em 2012 fiz 2 cirurgias e em 2016 fiz 3, uma delas uma ileostomia temporária da qual não estava à espera. Foi difícil de aceitar e fui ainda mais a baixo, pois sempre que criava alguma esperança de que finalmente as coisas estavam a melhorar havia/descobriam alguma coisa/problema que voltava a deitar-me a baixo. Durante este período continuava a tentar engravidar, mas sem sucesso.

Em 2017 entrei na lista de espera (de quase 1 ano) no Hospital Santa Maria no programa de apoio à fertilidade e em 2018 iniciei os tratamentos e fiz uma FIV com sucesso. Hoje tenho uma menina de 3 anos.

Continuo a fazer exames e consultas de rotina e neste momento a endometriose está controlada com medicação.
Nadira
O meu nome é Nadira, tenho 35 anos e tenho endometriose.

Durante muitos anos queixei-me de dores menstruais e os médicos diziam-me que era normal.

Tinha dores menstruais fortes, fluxos muito abundantes, dor durante o ato sexual, infeções urinárias recorrentes, alterações intestinais e dores a urinar durante a menstruação. Estava a tentar engravidar e não conseguia.

Fui diagnosticada com a doença em 2016 e fui encaminhada para o Hospital Beatriz Ângelo.

Quando cheguei à consulta com o Dr. José Reis, foi uma lufada de ar fresco. Assim que disse os meus sintomas, o Dr. José Reis preocupou-se com todas as minhas queixas. Apressou todo o processo e após alguns exames/consultas, em Junho de 2017 fiz a laparoscopia.

Logo após a cirurgia senti melhorias, a minha qualidade de vida melhorou bastante, já não sentia dores a menstruar, nem dor no ato sexual.

Em 2018 fiz a FIV, no CIRMA, onde estava a ser acompanhada e de onde encaminharam primeiro para o Dr. José Reis.

Após a terceira TEC, engravidei do meu primeiro filho, um menino que nasceu em Julho de 2019.

Em Agosto de 2020, depois de ter feito uma ecografia para ver como estava a endometriose, fui à consulta e o Dr. José Reis disse que não tinha evoluído, estava tudo bem e que era uma boa altura para engravidar novamente, se esse fosse o meu desejo.

Depois de tudo que passei durante anos e de várias tentativas sem sucesso, já me sentia realizada só com um filho, mas conseguir ser mãe de dois, era o meu sonho.

Contatei com o CIRMA, porque tenho ainda mais dois embriões congelados e deixei de tomar a pílula da amamentação em Setembro.

Em Novembro estava à espera que aparecesse a menstruação para iniciar a medição para a TEC e não apareceu. Estava grávida, consegui engravidar naturalmente! Para mim e para o meu marido foi um milagre, após vários anos e de muitas tentativas falhadas, para nós era quase impossível conseguir engravidar naturalmente.

A menina nasceu em Julho de 2021 e passámos a ser pais de um casal!

Toda esta luta não teria tido um final tão feliz se não tivesse tido a meu lado uma grande rede de suporte. É importante confiar no processo, não perder o nosso equilíbrio emocional e acreditar até ao fim.
Carla B.
Diagnóstico de endometriose passados 15 anos, lembro-me de ser miúda e ir para o hospital e os médicos dizerem que era normal, era o período de ovulação.

Comecei a menstruar aos 17 anos. Já realizei três cirurgias, tive uma gravidez natural, passado um ano da primeira cirurgia.

Passado três anos apareceu adenomiose e focos na bexiga. Tive um aborto e seis meses depois segunda cirurgia à bexiga.

Há um mês, realizei histerectomia total e retirada de focos dentro da bexiga tendo ficado algaliada 15 dias.

Ainda me encontro a recuperar e psicologicamente também me sinto muito abalada!
Susana F.
14 anos de sintomas e mais de 8 ginecologistas consultados sem que houvesse um diagnóstico e um acompanhamento. Diagnóstico em 2010.

Laparoscopia em 2011 com lise de aderências, excisão de tumor rectovaginal e na sigmóide, ureterolise esquerda, excisão de tumor da prega vesico-uterina.

Gravidez natural em 2013 com cesariana em 2014 onde houve lise de aderências para descolamento de orgãos.

Laparoscopia em 2016 com lise de aderências, excisão de tumor rectovaginal, colostomia e histerectomia total com anexectomia bilateral.

Laparoscopia em 2021 para colecistectomia por pancreatite aguda.

2022 em investigação por possível recidiva no aparelho urinário.
Ana M.
Comecei a tomar a pílula pelos 14 anos e até casar fui sofrendo sem soluções.

Em 2002 comecei a ser estudada porque precisámos de tratamentos de fertilidade e descobrimos que era endometriose em 2004, através de cirurgia. Até à última cirurgia passámos por cerca de 10 TTT de PMA ( FIV´s, TEC´s e ICSI’s c/DGPI) e 9 cirurgias para travar a Endometriose (Laparoscopias e Laparotomias).

Fiquei sem útero, trompas, vesícula, cerca de 40cm de intestino, mas o pior foi a qualidade de vida e os anos que esta doença me roubou. Nos últimos 3 anos a minha vida foi de decadência total, passava horas infindáveis em agonia e todas as semanas, mais de uma vez, ia às urgências.

Fiz todos os exames possíveis, cheguei a tomar 25 comprimidos diários, fui seguida pelos melhores especialistas nas diversas áreas dos meus órgãos afetados pela endometriose. O pesadelo chegou ao fim com a última cirurgia. Ainda me encontro em recuperação física.

Cheguei a desejar morrer por não conseguir aguentar, mas a vida deu-me uma segunda hipótese porque foi por um triz que não tive perfuração do intestino. Fui contemplada com a bênção de ter conseguido duas filhas. Agradeço aos meus médicos Dra. Filipa Osório, Dr. David Serra e Prof. Dr. Nuno Figueiredo que me salvaram e ao Dr. Sérgio Reis Soares porque sem ele não seria Mãe.

O meu percurso foi longo e bastante incapacitante até Setembro de 2021 onde me devolveram alguma qualidade de vida. Fiquei com uma incapacidade vitalícia de 63% e aguardo juntas médicas para ser reavaliada após a realização de mais 2 cirurgias que irão aumentar a incapacidade.

Ana M. - 48 anos
Rita C.
Na adolescência tinha dores menstruais horríveis que diziam ser normais, depois na adolescência e até ser mãe, como sempre usei contraceptivos hormonais as dores abrandaram.

Em 2017, por já não suportar contracepção hormonal, começou o pesadelo. Dores horríveis, que não cediam aos comprimidos, alterações intestinais, urinárias, e a dor sempre do mesmo lado a apanhar-me a perna. Ecos, análises, tudo normal, era completamente desvalorizado.

Até que na pandemia decidi que iria ter que ver, de uma vez por todas, o que tinha. Contactei a Associação MulherEndo e fui a um especialista, que me atendeu e ouviu as minhas queixas sem desvalorizar. Ressonância magnética que acusou endometriose profunda.

Faço alimentação apropriada e estou a pouco e pouco a melhorar!

Rita C. - 40 anos
Milene C.
Vivo com Edometriose faz 13 anos.

Já passei por tantos médicos que já nem consigo dizer com certeza quantos consultei. Fui sempre muito desvalorizada e diziam muitas vezes que era tudo psicológico. Chegaram mesmo a mandar-me para o hospital psiquiátrico em Faro. Recusei, porque eu sabia que as minhas dores eram verdadeiras.

Fiz duas cirurgias e de momento estou à espera da terceira. Há uma semana atrás chegaram à conclusão que tenho adenomiose difusa.

Resumido, esta tem sido a minha vida: dor e mais dor!

Milene C. - 37 anos
Inês C.
6 anos para diagnóstico. 5 médicos. Em 2019 fiz salpingectomia bilateral. Com infertilidade associada fiz tratamentos e engravidei por FIV, fui mãe em 2020, no dia 5 de Outubro às 39 semanas mas, devido a negligência, o bebé nasceu de parto normal e já sem vida.

Posteriormente tive diagnóstico de endometriose profunda e em Janeiro de 2021 fiz histerectomia total por endometriose e adenomiose com ressecção de focos na zona do recto.

Em Setembro de 2021 voltei a ser operada para ressecção da sigmoíde, ileon e remoção de endometriomas.

Em Fevereiro de 2022 fiz nova laparoscopia. Estive até 16 de Março novamente internada por consequência da remoção de parte do cólon e a qualidade de vida ainda não a consegui. O sonho de ser mãe foi-me roubado mas estou cá e graças a Deus com o melhor marido do mundo.

Inês C. - 37 anos
Patrícia C.
Sou a Patrícia, tenho 29 anos e tenho endometriose.

Aos 18 anos comecei com as clássicas ‘infeções urinárias’ que nunca passavam.

Desde cedo sofri com dores menstruais, mas sempre me auto-apelidei de azarenta. Fui a um urologista, a outro, e a a mais um até que fui operada à bexiga porque diagnosticaram-me com cistite intersticial. O diagnóstico veio ao fim de 4 anos a ser acompanhada em urologia e onde já nada havia a fazer.

Foi-me recomendado ir a um ginecologista. Marquei consulta e na primeira ecografia eram visíveis os focos de endometriose. Não obstante, a adenomiose também se manifestou. Pílula contínua, menopausa induzida, medicamentos e mais medicamentos.

Em 2019 procurei outro ginecologista que fosse a favor da cirurgia e encontrei o Dr. Hélder Ferreira. Fui operada em Maio desse ano e tirei tumores no canal recto-vaginal e perto da bexiga.

Por cá continuo na luta sempre positiva, como sempre encarei esta doença.
Rita A.
Sou a Rita Alves, tenho 44 anos e tenho Endometriose profunda e Adenomiose.

Aos 28 anos comecei a pensar em aumentar família e, passados 2 anos, nada aconteceu. Fui encaminhada para PMA - durante 14 anos, o meu médico nunca falou em Endometriose, nem tão pouco valorizou os meus sintomas ou queixas.

Fiz 2 inseminações que resultaram em abortos.

Aos 37 anos fui encaminhada para o IPO de Lisboa, após ter recebido um resultado positivo de cancro do colo do útero.

Só ao fim de 10 anos é que fiquei a saber que a minha doença se
chamava Endometriose.

Quando comecei a ser seguida pelo Dr. Setúbal, fiz 2 laparoscopias, sendo que a última resultou numa histerectomia total, dada a quantidade de lesões que a endometriose estava a provocar.

Estou numa menopausa precoce há 2 anos.

O meu sonho de ser mãe biológica caiu por terra, mas a minha qualidade de vida melhorou a 100%.
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